Turismo Espacial


                                                                                         Norma Teresinha Oliveira Reis (normareis@mec.gov.br)
 

Você já pensou em passar suas férias em um destino pouco convencional – o espaço? Com certeza, você ja ouviu falar de alguns milionários que se aventuraram em altitudes acima da estratosfera. Mas, se seus rendimentos não sao estratosféricos, você deve estar imaginando: o que esse assunto tem a ver comigo? No momento, uma viagem dessas está a milhares de anos-luz das possibilidades de pobres mortais como eu e você. Mas, com os avanços tecnologicos empreendidos sobretudo por empresas privadas e outros agentes não ligados às convencionais agências espaciais submetidas à burocracia governamental, o sonho de Icaro do cidadão comum poderá se tornar realidade em um futuro não muito distante.

Fig. 1 – Concepção artística de um hotel espacial na órbita da Terra. Um sistema de gravidade artificial seria utilizado para proporcionar aos turistas maior conforto. Fonte: HowStuffWorks. Crédito da imagem: Space Island.

 

Um dos maiores desafios para baratear os custos de uma viagem espacial é a questao do lançamento – basicamente, o foguete e o combustível. Com efeito, os custos de lancamento sao um dos maiores impedimentos para popularizar o turismo espacial. Se conseguirmos avançar em alternativas mais custo-efetivas, tais como o elevador espacial, conseguiremos tornar realidade o sonho de muitas crianças hoje crescidas, que ainda sonham em ver com seus próprios olhos que “a Terra e azul”, nas palavras de um Yuri Gagarin. Eu sou uma dessas crianças grandes, que adoraria fazer uma viagem espacial, seja na condição de astronauta e/ou de turista.

Atualmente, existem basicamente dois tipos dessa aventura: orbital e suborbital. Em outras palavras, caso você tenha dinheiro suficiente, pode reservar um assento para fazer uma viagem rápida ou mesmo passar vários dias a bordo da cobiçada Estação Espacial Internacional – ISS, na companhia dos astronautas encarregados de fazer pesquisa no laboratório orbital. Vejamos mais detalhes sobre esses tipos de viagem:

1. Turismo suborbital: é um tipo de viagem em que, apesar de a nave chegar ao espaco (100 km acima da superficie terrestre), ela nao completa uma órbita ao redor do planeta. Algumas pessoas têm a noção equivocada de que uma viagem suborbital não caracteriza uma viagem espacial. Isso não é verdade. Um voo suborbital é um voo espacial. A única diferenca e que o veículo espacial não descreve uma orbita completa ao redor da Terra. Geralmente, uma nave suborbital obtém um impulso de um foguete e depois se desloca sem propulsã para cima e de volta em uma trajetoria balística (Space Travels, http://www.spacetravels.gr/html/suborbital_gb.html). Confira no vídeo abaixo o voo da primeira nave espacial suborbital, a SpaceShipOne, em 2004, da empresa Virgin Galactic. Essa empresa pertence ao magnata inglês Sir Richard Branson, dono de mais de 400 empresas que fazem parte do “império” Virgin. Esse foi o primeiro voo da espécie no escopo do Ansari X Prize (saiba mais sobre a Fundação XPrize, responsável pelo prêmio, http://www.xprize.org/), uma competição para demonstrar possibilidades de naves tripuladas reutilizáveis não-governamentais. A SpaceShipOne ganhou o prêmio, atingindo mais do que os 100 km de altitude exigidos.

2. Turismo orbital: A definição de voo espacial orbital é um aquele em que a nave percorre uma órbita completa ao redor da Terra. Nesse caso, o turista pode permanecer alguns dias a bordo da Estacao Espacial Internacional (sigla em inglês, ISS). Atualmente, há outras agências espaciais e empresas privadas com projetos de construção de estações espaciais de modo que, em breve, haverá novas “pensões espaciais” disponíveis além da ISS, cuja finalidade principal é a pesquisa científica. O primeiro turista espacial a orbitar a Terra foi um multimilionário dos EUA chamado Dennis Tito, que conseguiu comprar a primeira “passagem” para a Estação Espacial Internacional. Ele passou quase um ano treinando na Rússia, pois ele fez sua viagem pela nave Soyuz. Todo o processo foi intermediado pela empresa Space Adventures. Houve muitas preocupações das demais agencias espaciais, como a NASA, por conta de Tito não ser um astronauta profissional e das dificuldades que sua presença a bordo poderia trazer, devido aos rígidos esquemas de seguranca das atividades na ISS. O que nem todos sabem acerca da história desse homem é que, alem de ser um empresário, ele é engenheiro e já havia sido funcionario da NASA. A viagem espacial era para ele um sonho de infância, que ele conseguiu realizar aos 60 anos. Ele pagou 20 milhões de dólares para realizar seu sonho e abrir portas para as empresas de voos espaciais privados, mostrando ao mundo que era possível a cidadãos comuns viajar ao espaço em segurança (Space.com, http://www.space.com/11492-space-tourism-pioneer-dennis-tito.html).  Veja na imagem abaixo Tito entrando na ISS, feliz ao realizar seu sonho.

Figura 2 – Dennis Tito, o primeiro turista espacial. O empresário e engenheiro passou vários dias a bordo da Estação Espacial Internacional, realizando assim seu sonho de infância.

Depois de Tito, vários outros turistas puderam fazer suas viagens espaciais. Mas para fazer uma viagem espacial,  mesmo na condicao de turista, nao basta espirito de aventura e dinheiro. E preciso passar por exames medicos e um treinamento simplificado. Afinal, viajar ao espaco nao e como passar as ferias na praia. Nao seria uma boa ideia ter uma convulsao ou um infarto em orbita, ou no momento do lancamento ou da reentrada na atmosfera – esses dois ultimos, os mais dificeis em um voo espacial. Isso porque, nesses momentos, o tripulante e submetido a pressoes que o fazem sentir com varias vezes o seu proprio peso. Alem disso, e preciso que o viajante seja psicologicamente equilibrado e saiba conviver com pessoas que podem ter comportamentos e valores diferentes dos seus. Sim, uma viagem espacial de turismo congrega pessoas de varias partes do mundo. Nem todos falarao o mesmo idioma, terao os mesmos costumes, a mesma religiao e por ai afora.

Veremos na seqência algumas empresas que oferecem turismo espacial suborbital, algumas características da missão, o preço, bem como datas em que as viagens estão previstas para acontecer. São alguns exemplos do que existe hoje de concreto no ramo de turismo espacial:

Digamos que você é um grande sortudo que conseguiu dinheiro suficiente para a viagem, ou que as empresas desenvoveram uma tecnologia mais custo-efetiva e você finalmente, poderá fazer sua viagem espacial! Como será a seleção e o treinamento? Ao contrário do que o senso comum pode dizer, as pessoas na terceira idade também poderão fazer a sua viagem, se atenderem alguns requisitos básicos de saúde física e mental. Se você fizer um voo suborbital, não precisará se submeter aos rígidos treinamentos que períodos maiores de permanência no espaço exigem. Geralmente, os treinamentos para voo suborbital duram não mais que uma semana.

O turismo espacial vem incentivando novas ideias que dizem respeito a um maior envolvimento da sociedade em empreendimentos espaciais. Nos Estados Unidos, por exemplo, existe um empreendimento em que cidadãos serão selecionados não somente para voar a bordo de uma nave de turismo espacial suborbital, mas também para realizar experimentos em órbita. Trata-se da iniciativa chamada “Citizens in Space” (http://www.citizensinspace.org/). Embora no Brasil essas ideias ainda não sejam tão populares, acredito que, com o tempo, esse panorama mudará. Por exemplo, recentemente o astronauta brasileiro Marcos Pontes lançou sua empresa de turismo espacial, a Agência Marcos Pontes (http://www.agenciamarcospontes.com.br/curso-de-cosmonauta.php).

Entretanto, antes de embarcar nessa aventura é preciso ter em mente os riscos de uma viagem espacial desse porte. Por certo que existe risco de morte em uma viagem dessas, assim como existe esse risco nas viagens espaciais converncionais. Mas é desnecessário dizer que, até mesmo por ser um empreendimento recente e sem o mesmo porte de investimento e pessoal das agências espaciais governamentais, o turismo espacial representa um risco maior que uma viagem espacial a bordo de uma nave espacial governamental. Por exemplo, nos Estados Unidos existe legislação que proíbe o cidadão que embarca em uma aventura dessas de processar o governo caso haja algum problema (http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/12/15/AR2006121501455_pf.html). Antes de realizar uma viagem espacial, o turista precisa assinar um termo entre partes declarando ciência dos riscos que assume. Mas, como para quase tudo na vida existe algum risco… Talvez valha a pena, pela realização de um sonho!

One Response to Turismo Espacial

  1. QUEM REPRESENTA OS VOOS ESPACIAIS NO BRASIL É A AGENCIA MARCOS PONTES, DE PROPRIEDADE DO ASTRONAUTA BRASILEIRO:
    http://WWW.AGENCIAMARCOSPONTES.COM.BR

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