Nova missão da NASA para capturar um asteroide


Norma Teresinha Oliveira Reis (normareis@mec.gov.br)

Você já deve ter ouvido falar do mais recente projeto da NASA, que se refere à captura de um asteroide. Quem acompanha política espacial deve ter notado que, nos últimos tempos, a NASA estava tentando definir qual seria seu próximo grande objetivo, depois da construção da Estação Espacial Internacional. Imaginamos que o próximo passo lógico seria um pouso tripulado em Marte, nas próximas décadas. Entretanto, os recentes cortes orçamentários daquele programa espacial tornaram esse projeto cada vez mais distante. Além disso, convenhamos, qual a utilidade prática, nesse momento, de pousar em Marte? Do ponto de vista científico seria um marco extraordinário. Mas, do ponto de vista econômico e, até mesmo ambiental, perfeitamente dispensável e nem um pouto urgente, nesse momento. Se aprendermos a ter um pouco mais de consciência ambiental, cuidando com mais responsabilidade dos recursos desse planeta, não precisamos nos aventurar tão cedo à missão espinhosa de transformar um deserto sem vida em um lugar habitável.

Com o incidente do meteorito que explodiu sobre o céu da Rússia, em 15 de fevereiro de 2013, causando uma chuva de pedras espaciais sobre seus cidadãos, o mundo despertou para nossa vulnerabilidade cósmica. Entretanto, já houve, no século passado, episódios envolvendo queda e aproximação de pedregulhos vindos do espaço. Mas, como eles passaram perto de regiões desabitadas (leia sobre o evento Tunguska, em 1908 www.zenite.nu?tunguska), não causaram grande impacto na mídia – a qual, na época, também não exercia grande impacto. Além disso, ninguém ficou ferido naqueles eventos. Mas, com a recente realidade de pessoas feridas por pedras vindas do espaço, parece que a comunidade científica ficou mais atenta para esses perigos vindos do espaço.

Pensando nisso, a NASA identificou sua próxima grande missão. Trata-se da captura de um asteroide, usando uma espécie de sacola, por meio da iniciativa para Resgate e Utilização de um Asteroide (original, NASA’s Asteroid Retrieval & Utilization Mission – ARUM). Esse passou a ser o atual grande projeto da NASA, para o qual está sendo destinada uma fatia considerável do orçamento da NASA. O plano todo é muito engenhoso. Veja no vídeo abaixo como isso deve ocorrer.

Perigos rochosos que vêm do espaço

Há muitos milênios existimos enquanto humanidade, mas o conhecimento acerca da existência de asteroides é historicamente recente. O primeiro asteroide (também chamado “pequeno planeta”) conhecido, chamado Ceres, foi descoberto pelo padre, matemático e astrônomo italiano Giuseppe Piazz, em 1801.

Fig. 1 – Ceres. Os cientistas descobriram usando telescópio especial Hubble, que Ceres parece mais um planeta que um asteroide. Por isso, ele foi posteriormente categorizado como planeta anão. Fonte: NASA

Fig. 1 – Ceres. Os cientistas descobriram usando telescópio especial Hubble, que Ceres parece mais um planeta que um asteroide. Por isso, ele foi posteriormente categorizado como planeta anão. Fonte: NASA

Em 1900, centenas de asteroides já eram conhecidos, incluindo o primeiro Objeto Próximo da Terra (em inglês, Near Earth Object – NEO), chamado Eros, descoberto em 1898, pelo astrônomo alemão Carl Gustav Witt. Em meados de 1990, mais de 8 mil objetos haviam sido descobertos por meio de pesquisa no sistema solar interior. Em toda a década, um total de 86 mil objetos foram catalogados.

Os NEO são asteroides, cometas e meteoroides grandes cujas órbitas obrigatoriamente se aproximam da Terra a uma distância de 7,5 milhões de km.

objeto2

E quantas dessas rochas conseguimos identificar? Segundo informações contidas no site da NASA (http://neo.jpl.nasa.gov/faq/#howmany), até 24 de abril de 2013, foram descobertos:

  • 9891 Objetos Próximos da Terra (NEO). Cerca de 861 deste total, são asteroides com diâmetro de aproximadamente 1 km ou mais. Há especialistas que acreditam que esse número de 9891 corresponda a apenas 2 por cento do total desses objetos! Em outras palavras, muitos NEO ainda não foram descobertos.
  • 1937 destes NEO, foram classificados como Asteroides Potencialmente Perigosos (em inglês, Potentially Hazardous Asteroids – PHA). Esses objetos se encontram em órbitas que têm potencial de aproximação com a Terra e tamanho suficiente para causar dano significativo caso ocorra um impacto, ou seja, diâmetro de 140 metros ou mais.

Atenção! Todo Objeto Potencialmente Perigoso (PHA) é um Objeto Próximo da Terra (NEO), mas nem todo Objeto Próximo da Terra (NEO) é um Objeto Potencialmente Perigoso (PHA)! E há ainda que se considerar que a probabilidade de um Objeto Potencialmente Perigoso (PHA) impactar a Terra é muito remota. No entanto, ela não é nula, portanto precisamos estar preparados. Caso

Confira na imagem abaixo, gráfico recente sobre quantidades de asteroides próximos da Terra catalogados.

Fig. 2 - XXX

Fig. 2 – Asteroides. Esse gr[afico mostra dados de telescopio orbital da NASA, gerando estimativas sobre o numero de objetos em diferentes categorias. Cada asteroide no grafico representa 100 objetos. Os asteroides proximos da Terra que ja foram descobertos estao pintados de marrom. Esse estudo nao se aplica a objetos menores que 100 metros, mas estima-se que haja mais de um milhao de objetos desse tipo. Fonte NASA

A urgência de ações de proteção planetária

 “Os dinossauros foram extintos porque não tinham um programa espacial.”

Arthur Clarke, escritor de ficção científica

Alguns riscos vindos do espaço têm chamado a atenção de cientistas de todo o mundo. Por exemplo, houve um asteroide que passou muito próximo da Terra no dia 15 de fevereiro de 2013. Essa rocha espacial, denominada “2012 DA14”, tinha 15 m de largura e 45 m de comprimento, e passou a uma distância de apenas 27.700 km da Terra, viajando com uma velocidade de 28.100 km/h. O asteroide pesava cerca de 130 mil toneladas. Felizmente, essa rocha não estava em rota de colisão com a Terra. Porque se estivesse, todos nós teríamos tido um dia muito ruim!

No mesmo dia, a Rússia teve um dia chuvoso. Mas, a chuva era de pedras; de pedras vindas do espaço. Um meteorito de 17 metros de diâmetro caiu sobre o sudoeste da Rússia. Ele pesava 10 mil toneladas ao entrar na atmosfera e, ao explodir, liberou energia equivalente à bomba atômica de Hiroshima. Cerca de 1200 pessoas, incluindo centenas de crianças, ficaram feridas. No estágio atual de desenvolvimento de equipamentos astronômicos, era quase impossível prever tal evento com antecedência. Mesmo os melhores telescópios poderiam detectar um objeto dessa natureza a apenas 2-3 horas antes da colisão.

Os atuais programas de detecção de objetos próximos da Terra (em inglês: Near Earth Objects – NEO), não está focado em detectar objetos desse tamanho, pois não são considerados como os mais perigosos (em inglês: Potentially Hazardous Objects – PHO). Em outras palavras, as instituições nacionais e internacionais encarregadas desse tipo de pesquisa estão mais preocupadas com pedregulhos maiores, que possam aniquilar a vida humana em larga escala. O problema é que uma pedra menor, como aquela que se espatifou no céu da Rússia, também pode causar grandes estragos. Seja como for, o fato é que esse incidente chamou a atenção da comunidade internacional para o quanto ainda estamos vulneráveis enquanto espécie, frente a essas rochas.

Segundo informações do site da Agência Espacial Europeia (ESA), a probabilidade de colisão com um objeto da dimensão daquele que extinguiu os dinossauros, nos próximos 10 mil anos, é próxima a 100 por cento. Só que não sabemos quando isso ocorrerá. Dos milhares de asteroides já identificados e que estão cruzando a trajetória da Terra, não há expectativa de colisão nos próximos 100 anos. Cerca de 90 por cento dos asteroides relativamente grandes com um quilômetro ou mais de diâmetro, já são conhecidos. Suas órbitas são bem previsíveis. No que se refere aos menores, com tamanho de 40 a 50 metros, ainda temos aparatos insuficientes de observação.

Depois da surpresa com o meteorito, a Rússia pretende adotar medidas mais enérgicas para se prevenir. Pretende-se criar um programa composto por uma rede de telescópios robóticos – alguns em órbita, outros em solo, para monitorar os NEO. A destruição de um asteroide em caso de emergência pode ser realizada por meio de um foguete carregando uma arma nuclear. Se a ameaça for detectada com antecedência, meios mais avançados de alterar a órbita de um asteroide podem ser utilizados.

Fig. 3 - Asteroide que passou próximo da Terra em 15 de fevereiro de 2013. Apesar de a aproximação ter ocorrido no mesmo dia do incidente com o meteorito na Rússia, não há nenhuma relação entre os dois eventos. Fonte: NASA

Fig. 3 – Asteroide 2012 DA14, que passou próximo da Terra em 15 de fevereiro de 2013. Apesar de a aproximação ter ocorrido no mesmo dia do incidente com o meteorito na Rússia, não há nenhuma relação entre os dois eventos. Fonte: NASA

Os Estados Unidos gastam cerca de 4 milhões de dólares por ano para procurar Objetos Próximos da Terra, com potencial de colisão com a Terra. A maioria desse orçamento apoia a operação de observatórios que escaneiam o espaço procurando NEO. Entretanto, esse esforço é insuficiente para detectar a maioria dos NEO que podem apresentar ameaça tangível para a humanidade. Em 2005, o congresso dos Estados Unidos solicitou à NASA detectar 90 por cento dos NEO com diâmetros a partir de 140 metros até 2020.

Segundo fontes especializadas consultadas, os atuais programas de descoberta de NEO estão focados em encontrar objetos maiores e há planos bem desenvolvidos para desviá-los com décadas de antecedência em relação a um potencial impacto. Mas não é suficiente detectar somente NEOs desse tamanho. Ninguém sabia que um meteorito se espatifaria sobre a Rússia! É preciso esforços para detectar objetos menores que, se atingirem a superfície, podem ter efeito devastador. O meteorito que atingiu a Rússia tinha apenas 17 metros e foi responsável por ferir mais de 1000 pessoas.

Deve-se ter em mente que o risco de colisão com um NEO é extremamente baixo. O maior risco conhecido para a Terra é um asteroide chamado Apophis, que passará próximo da Terra em 13 de abril de 2036. Os cientistas calcularam que há uma possibilidade de menos de 0.003% de chance de colisão. Entretanto, nos últimos tempos, o assunto NEO vem recebendo mais atenção de agências espaciais, instituições e grupos de trabalho em nível nacional, regional e internacional.

A questão da proteção planetária muito grande para ser resolvida por apenas um país. É preciso um esforço bem coordenado de cooperação internacional, para um sistema de alerta e prevenção de aproximações perigosas à Terra, por objetos desse tipo.

Há alguns esforços internacionais em andamento, como uma iniciativa para descobrir, rastrear e classificar NEO, incluindo astrônomos dos EUA, Canadá, Austrália, Chile, Japão, China, muitos membros da União Europeia e da Rússia. Todas as descobertas são submetidas ao Centro para Pequenos Planetas da União Astronômica Internacional[1] (http://minorplanetcenter.net/iau/mpc.html), que publica os resultados imediatamente para a audiência internacional. Vejamos outros exemplos:

  • Grupo de Trabalho em NEO da União Astronômica Internacional (IAU)http://web.mit.edu/rpb/wgneo/
  • Fundação Guarda Espacialhttp://spaceguard.rm.iasf.cnr.it/ Essa fundação é internacional e particular, que une observadores profissionais e amadores, bem como pessoas e organizações sem formação em astronomia que desejam contribuir para as atividades da fundação.
  • Centro de Guarda Espacial (Reino Unido) – organização dedicada a estudar os perigos dos NEO (http://www.spaceguarduk.com/).
  • NEOShield (União Europeia) – programa contra o impacto por NEOs, tais como asteroides e cometas. Esse programa compreende instituições da Europa, Estados Unidos e Rússia (http://www.neoshield.net/en/index.htm).

Após o episódio com o meteorito na Rússia, as Nações Unidas também estão propondo a melhoria da coordenação internacional de esforços para lidar com ameaças dos NEO.

O projeto da NASA para capturar um asteroide

A questão da missão para um asteroide, pela NASA, não é uma novidade. Desde que o governo dos Estados Unidos abortou o projeto Constellation, da NASA, que tinha a finalidade de chegar a Marte nas próximas décadas usando a Lua como trampolim, o novo plano de exploração tripulada da NASA passou a incluir a visita humana a um asteroide. Entretanto, essa questão passou a receber maior prioridade pela Casa Branca dos EUA, depois do incidente na Rússia. Isso porque se pretende que as missões voltadas ao estudo de asteroides ajudem a defender a Terra.

Por isso, o orçamento da NASA, para o ano de 2014, prevê um acréscimo de recursos para a área de asteroides. Segundo documento no site da Casa Branca, “O orçamento acelera esforços para desenvolver as capacidades para defender a Terra de impacto de asteroides, identificando objetos potencialmente perigosos e posteriormente investigando seus atributos científicos. Esse trabalho também apoia novas missões da NASA para asteroides, as quais por sua vez serviriam como uma etapa intermediária para missões tripuladas para Marte e outros destinos”.

A missão

Em linhas gerais, a ideia da missão da NASA para Resgate e Utilização de um Asteroide consiste em usar uma sonda robótica (sem tripulação) para identificar, capturar e reposicionar um pequeno asteroide rico em água. O asteroide a ser selecionado para a missão deve ter aproximadamente 500 toneladas e 7-10 metros de diâmetro. Ele deve ser capturado com uma espécie de sacola e trazido de sua órbita solar para uma órbita no espaço cislunar (uma órbita alta da Lua). Essa captura é a parte mais complicada da missão. A alteração da rotação e transporte do asteroide para uma órbita da Lua teria um tempo de voo aproximado de 6 a 10 anos. Depois, uma equipe de quatro astronautas deve viajar até lá, em uma missão de cerca de 20 dias, “desempacotar” o asteroide, para explorar sua superfície e trazer amostras de uma rocha tão antiga quanto o sistema solar, para pesquisa. A NASA chama os asteroides de “alvos não cooperativos”, porque eles tendem a girar. Além disso, eles têm superfícies sobre as quais é difícil se firmar. Por isso, o programa de asteroides desenvolverá tecnologias necessárias para operar sobre e ao redor de um asteroide. Vejamos no gráfico abaixo as três fases principais da missão.

tabela

Essa missão combina muitos projetos atuais da NASA, incluindo a detecção de satélites, desenvolvimento de naves robóticas e a construção de um novo foguete gigante, bem como a construção de uma nave para exploração do espaço profundo, chamada Orion. A parte tripulada dessa missão enviaria seres humanos além da órbita da Terra, pela primeira vez depois do pouso da Apollo, em 1972. As tripulações que visitariam o asteroide capturado poderiam conduzir experimentos de extração de água, oxigênio, metais e silicone, materiais valiosos que ajudariam futuros astronauta a viver longe da Terra, durante missões de longa duração. É importante frisar, todavia, que essa não é uma missão de proteção planetária. O asteroide a ser capturado não representa nenhuma ameaça para a Terra.

Escolhendo o asteroide para a captura

O asteroide a ser capturado deve ser adequado em termos de tamanho, rotação e composição, e estar com sua órbita voltada para o sistema Terra-Lua. Estudos sugerem que há dezenas de asteroides próximos da Terra (em inglês, Near Earth Asteroids – NEA) dessa natureza, que podem ser detectados com novos telescópios até o final da década, entre os quais um alvo pode ser selecionado. Com a campanha de observação em solo, cerca de cinco alvos atrativos por ano podem ser identificados.

Por que levar o asteroide para uma órbita lunar?

Estudos mostraram que seria mais fácil, do ponto de vista da propulsão, retornar a um asteroide em uma órbita lunar alta, ao invés de trazê-lo para baixo, em um espaço muito afetado pela gravidade da Terra. O posicionamento em uma órbita alta da Lua permite que asteroides maiores e mais pesados sejam capturados.

A disponibilidade de um asteroide de centenas de toneladas na órbita da Lua poderia estimular a expansão da cooperação internacional entre as agências espaciais, que trabalhariam juntas para coletar e processar amostras. A captura, transporte, exame e dissecação de um asteroide inteiro forneceriam informações valiosas para atividades de proteção planetária que precisem algum dia desviar um asteroide muito maior. Finalmente, colocar um NEA em uma órbita lunar forneceria uma nova capacidade para a exploração não vista desde a era Apollo. Seria a primeira tentativa da humanidade de modificar a ordem os céus e, talvez, criar uma base permanente de humanos no espaço.

Tecnologias para a missão

Novas tecnologias serão desenvolvidas para a missão, como propulsão solar elétrica e comunicações a laser, componentes essenciais da exploração do espaço além da órbita da Terra.

Fig. X - Essa imagem mostra a comparação do tamanho do asteroide a ser capturado, já dentro da nave robótica, com o tamanho de um ser humano. Fonte: NASA

Fig. 4 – Essa imagem mostra a comparação do tamanho do asteroide a ser capturado, já dentro da nave robótica, com o tamanho de um ser humano. Fonte: NASA

Investimento

O governo dos EUA está destinando 105 milhões de dólares adicionais para a NASA, no orçamento de 2014, para o estudo dos asteroides, tanto para reduzir os riscos de impacto de um deles com a Terra, quanto para planejar uma missão de identificação, captura, redirecionamento e amostragem de um pequeno asteroide. Para a execução da captura do asteroide propriamente dita, executada por seu segmento robótico, estima-se que o investimento chegue a 2.6 bilhões de dólares.

Treinamento de astronautas

Desde 2011, a NASA está treinando astronautas para a missão de explorar a superfície de um asteroide. Os asteroides apresentam alguns desafios peculiares, pois mesmo um asteroide grande apresenta gravidade muito reduzida, um campo gravitacional não uniforme e índices de rotação variáveis, isso sem falar na pouca iluminação. Um dos principais desafios consiste em investigar como os astronautas podem prender um veículo e a si próprios àquela superfície. Diversas técnicas e ferramentas estão sendo testadas para explorar o asteroide e coletar amostras.

Fig. X - Astronautas treinando na água, para simular a exploração de um asteroide. Desde 2011, a NASA vem preparando seus astronautas para a missão. Fonte: NASA

Fig. 5 – Astronautas treinando na água, para simular a exploração de um asteroide. Desde 2011, a NASA vem preparando seus astronautas para a missão. Fonte: NASA

Benefícios

No que se refere a benefícios, foram identificadas as seguintes categorias:

  1. Gerar conhecimentos sobre experiências importantes da agência em viagens espaciais de longa duração para além da órbita da Terra.
  2. Expansão da cooperação internacional na área espacial;
  3. Exploração de recursos de um asteroide para o benefício da exploração espacial tripulada além do sistema Terra-Lua;
  4. Proteção planetária, contribuindo para desenvolver estratégias para desviar asteroides que possam ameaçar a vida na Terra no futuro.
  5. Auxiliar no esforço de fornecer informações valiosas para cientistas que investigam a origem do sistema solar.
  6. Educação e divulgação.

Cronograma

Vejamos algumas datas previstas para essa missão da captura do asteroide:

2014 – Primeiro lançamento de teste, não tripulado, da cápsula Orion.

2017 – Lançamento da nave robótica para captura do asteroide.

2019 – Uma nave robótica (sem astronautas) viaja até um pequeno asteroide e o captura, acomodando-o em uma espécie de sacola. Apesar dessa prospecção, há estudos que indicam que mover um asteroide para a Lua levaria de seis a dez anos.

2021 – Astronautas partem da Terra rumo ao asteroide, reposicionado em uma órbita estável da Lua, com um sistema de lançamento parecido com o da Apollo.

2025 – Os astronautas chegam até o asteroide e exploram sua superfície, usando o sistema de lançamento e a cápsula Orion.

Infraestrutura

A NASA pretende usar, nessa missão, o sistema de lançamento em desenvolvimento para missões além da órbita baixa da Terra. Esse sistema foi inicialmente projetado para levar seres humanos para a Lua, Marte e outros destinos. A nave se chama Orion e fazia parte do projeto Constellation, que tinha a finalidade a Lua e Marte.

Ainda sobre a missão

Esse tipo de missão, caso seja executada com êxito, pode gerar muitos conhecimentos. A experiência adquirida nessas expedições pode ser transferida para outras viagens além do sistema Terra-Lua. Ela pode ser usada, por exemplo, em missões para outros corpos celestes como os satélites de Marte, Fobos e Deimos e, potencialmente, para o cinturão de asteroides. Além disso, pode haver desdobramentos comerciais, como a mineração de asteroides.

Algumas reflexões

Uma missão para um asteroide é capaz de despertar o interesse do público e conferir um novo significado à exploração espacial. A motivação de alterar a órbita e explorar os recursos de um objeto celeste é evidente. Uma missão dessas despertaria o interesse de estudante e da população, e se combinaria à finalidade de capacitar o envio de seres humanos mais longe. Além disso, uma série de objetivos educacionais acompanharia a aventura. A missão Apollo se relacionou aos objetivos da guerra fria e desde então, está faltando uma razão geopolítica para as aventuras espaciais. O resgate de um asteroide traria inspiração e uma nova finalidade para um empreendimento global.

Alguns estudiosos duvidam do sucesso dessa missão. Isso porque o novo sistema de lançamento da NASA ainda não foi construído e não deve estar pronto até 2017. A nova nave, chamada Orion, deve ter seu primeiro voo não tripulado em 2014. Além disso, com qualquer instrumento, é um desafio precisar o tamanho exato e massa de um asteroide a milhões de quilômetros de distância. E quando chegar perto dele é preciso ter certeza de que consegue de fato capturá-lo.

SAIBA MAIS

Primeiras ideias de exploração de asteroides

A ideia de explorar os recursos naturais dos asteroides é antiga. O professor russo Konstantin Tsiolkovski, conhecido como o pai da Astronáutica, incluiu em sua obra The Exploration of Cosmic Space by Means of Reaction Motors  (A Exploração do Espaço Cósmico por meio de Foguetes de Reação), de 1903 a exploração de asteroides como um de seus 14 pontos para a conquista do espaço. Mais recentemente, a ideia foi detalhada no livro de John Lewis’, chamado Mining the Sky: Untold Riches From The Asteroids, Comets, And Planets (Mineração no espaço: segredos não revelados dos asteroides, cometas e planetas), e tem sido tema recorrente em filmes de ficção científica como Armagedon e Impacto Profundo. Apesar de ser um empreendimento muito desafiador, hoje dispomos da tecnologia necessária.

Extração de recursos de asteroides

Água e outros materiais podem ser extraídos em uma missão de captura de asteroide. A água poderia ser usada como propelente. Essas atividades poderiam iniciar uma indústria de utilização de materiais in situ.

Mineração de asteroides

Há duas empresas privadas que pretendem iniciar a mineração de asteroides, com finalidade comercial. A Planetary Resources (http://www.planetaryresources.com/) pretende enviar uma sonda robótica para explorar asteroides ricos em água e em metais raros, para colocar à disposição dos seus consumidores. O video abaixo está em inglês, mas permite visualizar a missão da empresa. Basicamente, eles pretendem identificar asteroides que possam oferecer maiores benefícios em termos de recursos, desenvolver a tecnologia necessária para chegar aos alvos e explorá-los, e finalmente colocar esses recursos à disposição do cliente. Por exemplo, água extraída dos asteroides podem servir os objetivos de missões de exploração do sistema solar.

A Deep Space Industries (http://deepspaceindustries.com/), por sua vez, possui um plano mais ambicioso. Ela pretende enviar naves para procurar pequenos asteroides que passem próximo à Terra e que possam ser explorados para procurar recursos preciosos. A empresa quer enviar diversos satélites em 2015, para fazer prospecção de dois a seis meses, com naves maiores embarcando em viagens para coletar materiais um ano depois. As primeiras missões de prospecção com as sondas FireFly e DragonFly poderiam pegar uma carona no lançamento de satélites grandes de comunicação. Depois, a empresa pretende pousar uma nave em asteroides, coletar material, processar no espaço e trazer para a Terra. Uma ideia de longo prazo consiste em construir uma fábrica de manufatura no espaço que colete e processe materiais. Confira no vídeo abaixo, também em inglês, como essa empresa pretende implementar sua visão. Ela pretende ser a primeira empresa a estar no espaço servindo missões de exploração, como bases na Lua e em Marte.

Essas empresas estão desenvolvendo telescópios espaciais, interceptadores e naves robóticas para coletar materiais dos asteroides. Se esses projetos tiverem êxito, e considerando a riqueza de recursos presentes nos asteroides, essas empresas podem atingir altos lucros em um curto espaço de tempo, mudando nosso conceito de recursos naturais, gerando uma riqueza até agora não imaginada e não explorada.

Referencias

The Washington Post, 05.04.2013. President Obama wants NASA to grab an asteroid, send astronauts to study it. http://articles.washingtonpost.com/2013-04-05/national/38303783_1_asteroid-keck-institute-astronauts

Examiner.com, 10.04.2013. NASA hopes to capture an asteroid to protect the Earth. http://www.examiner.com/list/nasa-hopes-to-capture-an-asteroid-to-protect-the-earth

Space.com, 10.04.2013. How it Works: NASA Asteroid-Capture Mission in Pictures. http://www.space.com/20606-nasa-asteroid-capture-mission-images.html

The White House. The 2014 Budget: A World-Leading Commitment to Science and Research.http://www.whitehouse.gov/sites/default/files/microsites/ostp/2014_R&Dbudget_overview.pdf

Estadão Blogs. 18.02.2013. Meteoro na Rússia: maior do que se imaginava. http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/meteoro-na-russia-mais-poderoso-ainda-do-que-se-imaginava/

Time. 09.04.2013. Asteroid in a Bag: NASA’s Long, Strange Trip. http://science.time.com/2013/04/09/asteroid-in-a-bag-nasas-long-strange-trip/#ixzz2RUyicZLa

Space.com. 10.04.2013. Capturing an Asteroid: How NASA Could Do It. http://www.space.com/20591-nasa-asteroid-capture-mission-feasibility.html

NASA Jet Propulsion Laboratory. Designing a Human Mission at an Asteroid. http://start1.jpl.nasa.gov/caseStudies/AstronautsOnAsteroid.cfm

NASA. 10.04.2013.  NASA’s FY2014 Asteroid Strategy – An Integrated Strategy in Support of Human Exploration And Protection of the Planet. http://www.nasa.gov/pdf/740684main_LightfootBudgetPresent0410.pdf

The Telegraph, 26.04.2013. NASA Train Astronauts for Asteroid Mission. http://www.telegraph.co.uk/science/space/9261863/Nasa-trains-astronauts-for-asteroid-mission.html

NASA Blogs, 30.04.2012. Inside the Astronaut Beltway. http://blogs.nasa.gov/cm/blog/analogsfieldtesting/posts/post_1335791941724.html

Asteroid Retrieval Feasibility Study. Keck Institute for Space Studies. 02.04.2012.

Asteroid Retrieval Mission. http://solarsystem.nasa.gov/missions/profile.cfm?Sort=Target&Target=Asteroids&MCode=arm&Display=ReadMore

Defending Planet Earth: Near-Earth Objects Survays and Hazard Mitigation Strategies: Final Report, 2010. National Research Council Committee to Review Near-Earth Object Surveys and Hazard Mitigation Strategies.

Fox News, 10.04.2013. Why Americans must support NASA’s plan to capture an asteroid. http://www.foxnews.com/opinion/2013/04/10/why-americans-must-support-nasa-plan-to-capture-asteroid/#ixzz2S9pp47y9

Discovery News, 04.02.2013. Asteroid Mining: Booming 21st Century Gold Rush? http://news.discovery.com/space/asteroids-meteors-meteorites/could-asteroid-mining-drive-21st-century-space-industry-130204.htm

The Guardian, 23.01.2013. Asteroid mining: US company looks to space for precious metal. http://www.guardian.co.uk/science/2013/jan/22/space-mining-gold-asteroids

NASA Spaceflight.com, 11.04.2013. Captured Asteroid mission – Redefining EM-2 for the bold challenge. http://www.nasaspaceflight.com/2013/04/captured-asteroid-mission-redefining-em-2-challenge/

RT, 18.02.2013. Russia to spend billions on asteroid defense. http://rt.com/news/russia-billions-asteroid-protection-502/

PenzaNews, 25.02.2013. Potential threat of asteroid impact should unite international community. http://penzanews.ru/en/opinion/53107-2013

United Nations Information Service, 25.02.2013. Agreement for enhanced international coordination to deal with potential asteroid threats reached at United Nations. http://www.unis.unvienna.org/unis/en/pressrels/2013/unisos425.html

International Astronautical Federation – IAF. Near Earth Objects (NEO). http://www.iafastro.net/?id=512

LarouchePac, 24.04.2013. Obama’s Desperate Asteroid Initiative is a Ruse. http://larouchepac.com/node/26321

LarouchePac, 13.03.2013. Russian Federation Council Calls For International Anti-Asteroid Program. http://larouchepac.com/node/25821


[1] Essa instituição é responsável pela classificação de pequenos corpos celestes no sistema solar: planetas pequenos, cometas, em conjunto com o Central Bureau for Astronomical Telegrams (CBAT);  bem como satélites  naturais (também em parceria com o CBAT). Essa instituição é também responsável pela coleta eficiente, computação, verificação e disseminação de observações astrométricas e órbitas de planetas pequenos e cometas.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: