Seleção e Treinamento de Astronautas


Norma Teresinha Oliveira Reis (normareis@mec.gov.br)
 

O termo “astronauta” significa “navegante das estrelas”, em Latim. Mas afinal, o que é um astronauta, em termos práticos? Cabe esclarecer que “astronauta” não é profissão, mas um título que pode ser conquistado por um profissional. Atualmente, segundo os critérios de seleção das agências espaciais que possuem programas tripulados, é necessário que o candidato tenha tido formação em engenharias ou ciências exatas ou biológicas ou ser professor de nível básico na área de exatas. Ou, é claro, ser um piloto de testes. Entretanto, com a crescente expansão da iniciativa privada no setor espacial, na forma de empreendimentos como o turismo espacial e mesmo na forma de esforços de exploração de outros corpos celestes, é provável que nas próximas décadas os critérios de seleção de astronautas para empreendimentos governamentais e privados no setor espacial sofram alterações.

Navegantes das estrelas. Série: Fragmentos de Pureza / Episódio 16 – Navegante das Estrelas. Fonte: http://thirinhas.wordpress.com/category/infancia/

Aqui, falaremos sobre alguns aspectos sobre o processo de seleção e treinamento de astronautas da forma como ocorre atualmente nas principais agências espaciais, fazendo também um breve resgate histórico dos primeiros programas de treinamento de astronautas. Atualmente, o Brasil não possui um programa de missões espaciais tripuladas.

Sabemos que o processo de seleção e treinamento de astronautas é altamente complexo. De fato, é um dos regimes mais árduos ao qual um ser humano pode se submeter. Afinal, os astronautas precisam estar em condições ótimas de saúde, estabilidade emocional, produtividade, e ser competentes na operação de todos os equipamentos de seu veículo espacial, sendo capazes de lidar com praticamente toda situação que possa ocorrer no espaço. Em outras palavras, o espaço é o ambiente mais hostil que existe e, para sobreviver nessas condições, o treinamento precisa ser severo, prevendo toda sorte de surpresas que possam surgir durante a missão. As agências espaciais buscam candidatos com experiência e potencial, pessoas motivadas que tenham boas habilidades de trabalho em equipe e comunicação. Os candidatos devem ter flexibilidade para se adaptar a situações novas e suportar a grande carga de trabalho envolvida na missão.

Todavia, os tipos de exigência do treinamento vêm sofrendo transformações ao longo da história da exploração espacial, de acordo com fatores como tipo de veículo espacial utilizado, duração da missão e destino da missão. Assim, por exemplo, um voo de uma semana de duração para a Estação Espacial Internacional demandará treinamento diferente de uma missão de longo prazo para Marte ou para um asteroide. Vejamos, na sequência, mais informações sobre o processo de seleção e treinamento de astronautas.

Um pouco de história dos primeiros tempos da seleção e treinamento de astronautas

O primeiro país a empreender atividades de seleção e treinamento de astronautas foi a ex-União Soviética. Esse país foi também pioneiro em marcos importantes da Era Espacial, como o envio do primeiro satélite artificial ao espaço, o Sputnik I (significado em russo, “companheiro”), o envio do primeiro ser vivo ao espaço, a cadela Laika, bem como o voo orbital do primeiro homem e da primeira mulher no espaço, respectivamente Yuri Gagarin (1934-1968) e Valentina Vladimirovna Tereshkova (1937-). Vejamos como ocorria o processo de seleção. 

Seleção dos primeiros cosmonautas da ex-União Soviética

A palavra “cosmonauta” é o equivalente russo de “astronauta”. Significam, na prática, a mesma coisa. Nos primeiros tempos da Era Espacial, o governo investiu maciçamente no processo de seleção e treinamento de seus cosmonautas. Eles faziam cursos de paraquedismo, voos suborbitais em aeronaves, além de submeter-se a muitos exames médicos. A saúde do cosmonauta tinha que ser perfeita, devido às exigências enormes de uma missão espacial, especialmente nos primeiros tempos.

Naquela época, uma comissão da Força Aérea liderada pelo físico russo Evgeny Karpov selecionou mais de 200 pilotos adequados. Em 1959, esse grupo passou por rigorosos exames médicos em um hospital, em Moscou. Daqueles 200 candidatos, 20 foram selecionados para compor o primeiro “time” de cosmonautas, cujo treinamento foi focado em missões específicas.

No que se refere às instalações do treinamento, o centro de treinamento de cosmonautas Gagarin se originou como uma instalação secreta da força aérea da ex-União Soviética. Ela se tornou a única “escola de cosmonautas” e um dos principais símbolos daquele país, em questões para além da Terra (http://www.russianspaceweb.com/star_city.html). A chamada Cidade das Estrelas (Star City), na ex-União Soviética, era uma área altamente confidencial, segura e isolada do resto do mundo. Hoje, muitos cosmonautas russos moram na Cidade das Estrelas com suas famílias (http://www.justgorussia.co.uk/en/excursion_star_city.html).

Os cosmonautas de hoje completam um período de treinamento básico de dois anos de duração, o qual inclui um programa de trabalho acadêmico em ciências espaciais, foguetaria e navegação espacial, além de suporte de vida, sobrevivência e treinamento na selva, treinamento em ambientes de isolamento, estresse e simulações de ausência de peso (tal qual voo parabólico e em tanques de agua) e um vasto programa de teste e treinamento médico e psicológico.

Seleção dos primeiros astronautas dos Estados Unidos

Em 1959, a NASA solicitou aos militares que indicassem candidatos que atendessem às especificações necessárias a um voo espacial. A NASA estava buscando candidatos com experiência de voo em avião a jato e formação em engenharia. O processo de seleção de astronautas era muito complexo e podia durar até dois anos. Antes da candidatura, nos primeiros anos, os candidatos precisavam preencher certos pré-requisitos mínimos de educação e pilotagem, além, é claro, de precisar ter ótima saúde e preparação física.

Curiosidade: naqueles primeiros tempos, a altura do candidato não poderia ser superior a 1,60m, por causa do espaço limitado na cabine da nave Mercury, que foi projetada para um tripulante. Depois de árduas seleções de ordem física e psicológica, a NASA escolheu 07 pessoas dentre um total de 500 candidatos. Seus nomes são Gordon Cooper, Jr., Virgil “Gus” Grissom, Donald K. “Deke” Slayton; John H. Glenn, Jr., M. Scott Carpenter, Walter M. Schirra, Jr., e Alan B. Shepard, Jr (Fonte: NASA). Há um filme interessante sobre esses primeiros sete astronautas, chamado “Os Eleitos”.

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Os sete primeiros astronautas da missão Mercúrio. O nome Mercúrio vem de um deus da mitologia romana, considerado símbolo da velocidade. Fonte: NASA

Na época, era pré-requisito ser do sexo masculino e ter entre 25-40 anos. No início do programa espacial, a formação militar como piloto de testes de jatos e a graduação em engenharia eram pré-requisitos para seleção. Os primeiros astronautas tanto para USA quanto para a ex-União Soviética, em geral, foram pilotos especializados em combate aéreo ou pilotos de teste capacitados a pilotar jatos.

O treinamento não era nada fácil. Por exemplo, os candidatos a astronautas eram girados em centrífugas (equipamentos que simulam várias vezes o peso de uma pessoa, as chamadas “forças g”), até desmaiar (http://discoverybrasil.uol.com.br/web/nasa/terra/treinamento/). Veja como esse tipo de treinamento é árduo, nesses vídeos.

Atual processo de seleção de astronautas nos Estados Unidos

No início dos programas espaciais, era necessário que os candidatos fossem militares e pilotos. A partir de 1964, a ênfase recaiu sobre as qualificações acadêmicas. Surgiram os cientistas astronautas. Assim, os candidatos a astronauta deveriam ter um grau de doutorado ou experiência profissional equivalente nos ramos de ciências naturais, medicina e engenharia. Atualmente, são admitidos tanto candidatos civis quanto militares. Além disso, o programa de treinamento também sofreu alterações. Hoje, ele é bem menos sofrível em comparação aos primeiros tempos dos programas espaciais. Por exemplo, o uso da temível centrífuga foi abandonado e trajes espaciais adaptados reduziram os efeitos colaterais da força de gravidade, evitando vômitos, desmaios e rompimento de vasos sanguíneos, associados às operações de lançamento e reentrada na atmosfera. Veja abaixo um vídeo em que Marcos Pontes fala sobre o que é preciso para se tornar astronauta.

Importante destacar que não existe uma “carreira de astronauta”. Ninguém escolhe “ser astronauta” como profissão. Ainda quando criança, pesquisava muito sobre o assunto no sítio da NASA e sempre ficou claro para mim que, para almejar se tornar astronauta, é preciso antes escolher uma carreira de que você goste para se tornar excelente naquilo que faz. Sim, porque não é suficiente ser muito bom. Você precisa se tornar excelente. As qualificações acadêmicas e profissionais de um candidato a astronauta devem estar acima da média, em comparação com profissionais de outras áreas. Não se trata de excelência por excelência, mas simplesmente porque uma missão espacial é algo muito complexo que requer uma vasta gama de conhecimentos e habilidades “acima da média”. Sim, imagine trabalhar sob pressão, correr risco de morte tanto na saída da atmosfera quanto na reentrada, realizar experimentos científicos em ambiente de reduzida gravidade, precisar consertar um telescópio no espaço. Imagine também precisar trabalhar, comer, dormir com uma equipe de pessoas que pouco se conhecem, precisar conviver bem com essas pessoas e produzir resultados como músicos em uma orquestra. Tudo isso requer muita preparação acadêmica, profissional, física, psicológica. Por isso, caso você seja um estudante lendo isso e sonhe em se tornar astronauta, precisa estudar muito, tirar notas altas e se empenhar em se tornar um excelente profissional de sua área. Mas não escolha uma carreira de que você não gosta somente com o objetivo de se tornar astronauta. Geralmente, conseguimos nos destacar quando fazemos aquilo que gostamos. Portanto, não basta ser um profissional mediano em uma área de que você não goste.

No que se refere a critérios de nacionalidade, no caso da NASA Corps, é necessário ser um cidadão dos EUA para ser candidato. Entretanto, candidatos com dupla cidadania (incluindo a dos EUA), também são elegíveis. A NASA não recomenda que a interessado mude de nacionalidade somente para ser elegível ao programa de candidatos a astronauta dos EUA. De fato, a NASA possui astronautas internacionais oriundos dos países com os quais a agência espacial possui cooperação, tais como o Canadá, o Japão, Rússia e Europa, que selecionaram astronautas internacionais. Cada um desses países possui sua própria agência espacial e, nesse caso, seria recomendável que o candidato fosse selecionado por sua própria agência espacial, para participar de uma missão com a NASA. Além da NASA, há outros países que possuem programa espacial tripulado, como a Rússia e a China. Pode-se considerar estabelecer parcerias também com essas agências espaciais.

No que se refere a idade, a NASA não coloca restrições. A média é de 34 anos. Os candidatos selecionados no passado tinham idades que variavam de 26 a 46 anos, com a média sendo 34.

Os salários para candidatos a astronautas civis são baseados no cronograma de pagamento do governo federal dos EUA. O nível é determinado pelo grau de formação acadêmica e experiência profissional de cada candidato. Atualmente, varia de US$64,724 a US$141,715 por ano. Espera-se que os astronautas permaneçam na NASA por pelo menos cinco anos após sua seleção. Os astronautas são funcionários do serviço civil federal dos EUA, com remuneração equivalente baseada na experiência. Têm direito a férias, seguro de saúde e de vida, bem como a benefícios de aposentadoria. Veja, abaixo, uma engraçada (mas  muito realista…) lista de mandamentos para candidatos a astronauta, provavelmente elaborada por algum deles, e que ficou bem conhecida.

MANDAMENTOS ASTRO

Fase I – Inscrições

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© 2013 Super Simple Learning

O primeiro passo para quem deseja se tornar astronauta é se inscrever. No caso da NASA, por exemplo, há um sítio (http://astronauts.nasa.gov/) em que os interessados obtêm informações sobre como proceder. Vejamos, inicialmente, os tipos de astronautas que existem:

Basicamente, existem quatro tipos de astronautas, que desempenham funções específicas no escopo de uma missão espacial:

  • Comandante/piloto: o comandante é responsável pela missão, pela tripulação, pelo veículo e pela segurança.      Geralmente, ele é também o piloto do veículo espacial. O piloto auxilia o comandante no controle e operação do veículo espacial. Ele é a segunda pessoa no comando, auxiliando o comandante conforme a necessidade.
  • Especialista de missão: trabalha com o comandante e é responsável por coordenar operações a bordo. Ele realiza experimentos a bordo, caminhadas espaciais e manuseia carga útil.
  • Especialista em carga útil: profissionais dos campos da física e da biologia, ou técnicos altamente qualificados que podem operar equipamentos específicos a bordo, conforme as necessidades específicas da missão. Esses especialistas são selecionados pelo patrocinador do equipamento a bordo, ou consumidor. O treinamento para especialista em carga útil pode começar até dois anos antes da missão, dependendo da tarefa que o especialista precise desempenhar (http://starchild.gsfc.nasa.gov/docs/StarChild/space_level2/astronaut.html).
  • Educador astronauta: essa categoria é a mais recente, lançada pela NASA como resultado do Programa Educador Astronauta, que selecionou os primeiros professores de educação básica, formados em áreas de exatas e biológicas. Além de participar da missão espacial, eles têm a missão de compartilhar o excitamento da exploração espacial com estudantes, após o término da missão.

Quanto aos pré-requisitos, tomemos como exemplo a NASA. No que se refere a qualificação acadêmica, o candidato precisa ser formado em uma instituição reconhecida, nas áreas de ciências biológicas, física,  matemática, ou engenharias. Atualmente, professores de educação básica com formação nas áreas de exatas ou biológicas também podem se candidatar. A qualidade da preparação acadêmica é importante. A graduação deve ser seguida por pelo menos 03 anos de experiência profissional que demonstre progressivas responsabilidades assumidas. Uma formação maior é desejável e pode ser substituída pela experiência, conforme se segue: mestrado = 01 ano de experiência, doutorado = 03 anos de experiência. Experiência de ensino, incluindo docência no ensino médio, é considerada uma experiência qualificante para a posição de candidato a astronauta; logo, os professores são estimulados a se candidatar. No caso dos candidatos a astronauta piloto, é necessário no mínimo 1000 horas de voo como piloto comandante em avião a jato.  Ainda segundo informações do site da NASA, pré-requisitos adicionais para piloto incluem a habilidade de passar o exame físico para voos de longa duração, que inclui as seguintes exigências: acuidade visual distante e próxima corrigível em cada olho deve ser de 20/20, a pressão sanguínea não deve exceder 140/90, medida em uma posição sentada, e o candidato deve ter uma altura entre 1,57m e 1,90.5m.

A experiência de voo é necessária?

Essa experiência não é uma obrigatoriedade. O programa de candidatos a astronauta requer ou três anos de experiência profissional comprovada, ou 1000 horas de tempo como comandante de pilotagem em avião a jato, para atender aos pré-requisitos mínimos. Experiência em aviões a jato é geralmente obtida por meio de carreira militar. Qualquer experiência militar ou privada é benéfica.

Exigências médicas

Quando astronautas qualificam-se para um voo com a NASA, a agência deve observar o que é exigido para operações normais de voo espacial, mas também a como cada astronauta responderia caso problemas sérios, ou mesmo ameaças à vida, possam ocorrer. Para a segurança máxima da tripulação, os astronautas não devem apresentar condições físicas capazes de comprometer a capacidade da pessoa em participar da missão, ou condições médicas que possam ser agravadas pelo voo espacial.

Fase II – Entrevistas e exames médicos

Depois de uma seleção preliminar das candidaturas, um processo de entrevistas pessoais de uma semana de duração, exames médicos, psicológicos e orientação é necessário tanto para os candidatos civis quanto militares. Na NASA, quando a seleção final é realizada, todos os inscritos são notificados do resultado. Os selecionados passam a ser chamados Candidatos a Astronauta e são encaminhados para o Escritório de Astronautas no Centro Espacial Johnson, em Houston, TX. Confira, abaixo, um vídeo em que o astronauta Marcos Pontes trata da preparação psicológica dos astronautas.

Exigências psicológicas

De acordo com a Agência Espacial Europeia, os inscritos devem ter boa capacidade de raciocínio e memória, concentração, facilidade de orientação espacial e destreza manual. A personalidade do candidato deve ser marcada por alta motivação, flexibilidade, sociabilidade, empatia com seus colegas, um nível baixo de agressividade e estabilidade emocional. Para missões de longa duração na Estação Espacial Internacional a habilidade de trabalhar como membro de uma equipe em um ambiente intercultural é de grande importância.

Fase III – Treinamento básico

Nessa fase, que dura dois (02) anos, os astronautas se apropriam dos conhecimentos e habilidades exigidas para participar em uma missão espacial, uma vez selecionado para um voo. Há uma combinação de aulas teóricas com treinamentos práticos. Durante esse período, eles continuam a ser avaliados. Vejamos os tipos de conhecimentos e habilidades explorados.

Fundamentos teóricos

Oferece conhecimentos básicos em diversas disciplinas científicas e técnicas. Tem a finalidade de “nivelar” todos os candidatos a astronauta, que possuem experiência profissional e habilidades diversificadas, para que eles desenvolvam uma base comum de conhecimentos em disciplinas relevantes para sua futura carreira de astronauta. Algumas disciplinas estudadas:

–         Engenharia de voo espacial;

–         Engenharia elétrica;

–         Aerodinâmica;

–         Propulsão;

–         Mecânica orbital;

–         Materiais e estruturas;

–         Pesquisa em ambiente de microgravidade (em fisiologia humana, biologia e ciência de materiais);

–         Observação da Terra;

–         Astronomia etc.

(http://www.esa.int/Our_Activities/Human_Spaceflight/Astronauts/Basic_training).

Sistemas e operações espaciais

Essa parte do treinamento básico é mais prática e visa familiarizar o candidato com os sistemas espaciais com os quais ele precisará lidar durante sua missão. Ele precisa saber as partes componentes e como funciona a Estação Espacial Internacional e o veículo espacial no qual ele viajará. Esse treinamento fornece uma visão detalhada de todos os sistemas a bordo da Estação Espacial Internacional (tais como estrutura e design, navegação, controle e orientação (GNC), controle térmico, geração e distribuição de eletricidade, comando e rastreamento, sistemas de suporte à vida (LSS), sistemas robóticos, sistemas para atividades extra veiculares, sistemas de cargas), além de estudo dos principais sistemas dos veículos espaciais que servem a Estação Espacial Internacional (Soyuz, Progress etc.), além da infraestrutura de solo, como plataformas de lançamento e centros de treinamento e controle (http://www.esa.int/Our_Activities/Human_Spaceflight/Astronauts/Basic_training).

Inicialmente, os candidatos a astronauta leem os manuais de treinamento e participam de lições por computador, acerca dos vários sistemas do veículo espacial. Por exemplo, a moderna tecnologia de computação possibilita que os astronautas treinem utilizando sistemas de realidade virtual. Eles colocam um capacete especial e se movem como se estivessem na estação espacial (http://www.esa.int/esaKIDSen/SEMRQIWJD1E_LifeinSpace_0.html).

O próximo passo envolve treinamento prático sobre os sistemas da nave. Os candidatos a astronautas são capacitados para operar cada sistema, identificando mau funcionamento e realizando ações corretivas se necessário.

Treinamento na água

A água é o melhor ambiente para treinar a movimentação e trabalho em microgravidade. Todos os candidatos passam por um teste de natação durante o primeiro mês de treinamento. Eles devem nadar 03 comprimentos de uma piscina de 25 metros sem parar e depois nadar na mesma piscina, vestindo uma roupa de voo espacial e tênis, por tempo indeterminado. Os candidatos realizam atividades de sobrevivência na água e se qualificam em SCUBA, para se preparar para caminhadas fora da nave espacial (atividades extra veiculares). Eles treinam em um enorme tanque de água para simular o trabalho em microgravidade, condição experimentada pelas tripulações durante o voo espacial. Para o candidato a astronauta, esse treinamento constitui importante experiência prévia ao voo, para familiarizá-lo com atividades planejadas da tripulação e com a dinâmica do corpo humano em condições de microgravidade.

Variação de pressão

Os candidatos são também expostos a situações de pressão atmosférica alta (hiperbárica) e pressão atmosférica baixa (hipobárica) em câmaras de altitude, para aprender a lidar com emergências associadas a essas condições.

Voos parabólicos para simular microgravidade

Além disso, os candidatos ficam expostos à microgravidade do espaço durante voos espaciais em jato modificado, que realiza manobras parabólicas que produzem períodos de gravidade zero por cerca de 20 segundos. A nave então retorna à sua altitude original e a sequência é repetida até 40 vezes por dia. Nos primeiros tempos do programa espacial, esse treinamento era muito exaustivo e os astronautas vomitavam muito.

Treinamento em protótipos

Diversos protótipos de veículos espaciais são utilizados para treinar os candidatos a astronauta. Esses protótipos são utilizados para orientar sobre operação dos sistemas de bordo e para treinar atividades de habitabilidade.  Assim, os astronautas realizam tarefas como preparação de alimentos, armazenamento de equipamentos, gerenciamento de lixo, uso de câmeras e realização de experimentos científicos. O trabalho em equipe e a capacidade de comunicação são habilidades muito observadas e valorizadas em todas as partes do treinamento, pois o sucesso da missão depende dessas competências interpessoais.

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Astronautas treinando procedimentos e equipamentos de habitabilidade da Estação Espacial Internacional, no Centro de Voo Espacial Johnson. Crédito: NASA

Treinamento de voo

Os astronautas pilotos treinam para manter proficiência de voo, voando 15 horas por mês na frota de jatos de dois assentos em um avião T38, da NASA. Astronautas não pilotos voam um mínimo de 4 horas por mês. Na NASA, o avião T38 é usado para treinamento de preparação para voo para ajudar os candidatos a astronauta a se ajustarem ao ambiente de voo, incluindo as forças extra de gravidade (forças “g”) experimentadas no momento do lançamento. O treinamento dos astronautas é projetado para preparar os candidatos para o voo espacial para a Estação Espacial Internacional, na nave russa Soyuz, no veículo Orion da NASA, e naves futuras.

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Astronautas em frente do avião T-38, no Centro Espacial Johnson. Fonte: NASA

Habilidades especiais

Treinamento em operações robóticas genéricas, encontro e acoplagem de veículo espaciais, domínio do idioma russo (por ser um dos principais idiomas da área espacial), comportamento humano e mergulho SCUBA, como preparação para atividades extra veiculares (http://www.esa.int/Our_Activities/Human_Spaceflight/Astronauts/Basic_training).

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Astronauta treinando mergulho SCUBA, na NASA. Fonte: NASA

Conclusão do treinamento básico

A conclusão no programa de candidato a astronauta exigirá a conclusão com sucesso dos seguintes elementos:

–         Treinamento em sistemas da Estação Espacial Internacional;

–         Treinamento em habilidades de atividades extra veiculares;

–         Treinamento em habilidades robóticas;

–         Treinamento em idioma russo;

–         Treinamento em preparação para voo em aeronave.

A primeira seleção como astronauta dependerá de satisfazer completamente o período de dois anos de treinamento e avaliação.

Os candidatos civis que completam com sucesso o treinamento e avaliação recebem o título oficial de astronauta e tornam-se empregados federais permanentes da NASA. Entretanto, o treinamento não termina por aí. Os candidatos a astronauta devem submeter-se a treinamento especializado para a missão para a qual eles forem designados. Enquanto a missão não acontece, eles trabalham em outros postos na NASA, ou mantém seu regime de treinamento (http://www.universetoday.com/40755/astronaut-training/#ixzz2Ij7dnXbe). Importante salientar que o fato de o astronauta concluir seu treinamento básico não significa que ele será imediatamente designado para uma missão. Às vezes, leva anos para isso acontecer, o que pode ser frustrante para o candidato.

Os candidatos civis que não são selecionados como astronautas podem ser colocados em outras funções na NASA, dependendo das exigências da agência e de limitações de mão de obra, no momento. Oportunidades iguais no emprego quer dizer oportunidades não somente para alguns, mas para todos. A NASA oferece oportunidades iguais para seus empregados a despeito de etnia, gênero, origem nacional, religião, idade, deficiência física ou mental não incapacitante, orientação sexual, condição como pai, ou gênero (Extraído do sítio da NASA).

Fase V – Treinamento especializado de missão

Enquanto o treinamento básico inclui em sua maior parte conteúdos teóricos, o treinamento especializado inclui muito treinamento em simuladores e réplicas, como a da Estação Espacial Internacional. Quanto esse treinamento é concluído, o astronauta está pronto para a missão (http://www.esa.int/Our_Activities/Human_Spaceflight/Astronauts/Advanced_training). Os astronautas não iniciam o treinamento especializado antes de serem designados para uma missão. Quando isso ocorre, eles iniciam o treinamento especializado, que pode durar de 10 meses até 07 anos, dependendo da complexidade da missão. Por exemplo, uma missão para o planeta Marte será algo muito mais complicado que uma viagem semanal para a Estação Espacial. Confira esse vídeo sobre desafios de viver no planeta vermelho.

Na NASA, o treinamento especializado compreende 16 diferentes cursos que incluem todos os treinamentos relacionados ao veículo espacial. Durante esse treinamento, os astronautas passam a maior parte do tempo em simuladores de voo, réplicas em tamanho real dos veículos espaciais utilizados em sua missão e da Estação Espacial Internacional, incluindo treinamento na água para praticar caminhadas espaciais. O treinamento nessas réplicas é capaz de reproduzir todos os eventos que ocorrerão durante a missão. As simulações preparam os astronautas para quase todo tipo de emergência ou contingência (http://library.thinkquest.org/03oct/02144/text/travel/training.htm). Instrutores confrontam os astronautas com problemas e mais problemas, forçando-os a apresentarem soluções, tudo com a finalidade de prepará-los para emergências reais (http://www.helium.com/items/1421403-an-overview-on-advanced-mission-training-for-astronauts). Durante essa fase, os astronautas podem passar até oito horas por dia treinando nos simuladores (http://www.helium.com/items/1421403-an-overview-on-advanced-mission-training-for-astronauts).

Treinamento específico para a Estação Espacial Internacional

A Estação Espacial Internacional é o maior empreendimento científico e tecnológico já realizado. Trata-se de um laboratório permanente no qual a gravidade, a temperatura e a pressão atmosférica podem ser manipuladas para pesquisas científicas e de engenharia que não podem ser realizadas em laboratórios em solo. A bordo desse laboratório orbital, os tripulantes obtêm novos caminhos para pesquisa e desenvolvimento que beneficiam pesquisas médicas, estudos de materiais e processos para beneficiar indústrias na Terra. Essas pesquisas podem acelerar desenvolvimentos tecnológicos e em engenharia que têm se mostrado como aplicações práticas para a vida na Terra. A estação continua a expandir as fronteiras da pesquisa científica. As capacidades únicas de seus laboratórios levarão a descobertas que beneficiarão missões para destinos mais distantes no Universo. O uso da estação para estudar a capacidade de permanência humana no espaço e para testar novas tecnologias e técnicas, prepara a humanidade para jornadas mais longas, rumo a outros destinos, como Marte, asteroides e além.
Os astronautas estão envolvidos em todos os aspectos das operações orbitais da Estação Espacial Internacional. Isso inclui atividades extra veiculares (caminhadas espaciais), operações robóticas utilizando sistemas de manipulação remota (braços robóticos), experimentos, e atividades de manutenção. Por isso, exige-se que os astronautas tenham conhecimentos detalhados dos sistemas da estação espacial, bem como das características operacionais, exigências e objetivos de missão, além de sistemas e equipamentos de apoio para experimentos nas missões para as quais forem designados. As missões de longa duração a bordo da estação espacial geralmente duram de 3 a 6 meses. O treinamento para missões de longa duração é árduo e dura aproximadamente de 02- 03 anos além do treinamento e avaliação iniciais. Saiba mais sobre a Estação Espacial, nas palavras do astronauta brasileiro Marcos Pontes.

Sabemos que a Estação Espacial Internacional é composta por módulos que foram fabricados por diferentes países. Basicamente, a estação consiste em um projeto conjunto que engloba agências espaciais do Canadá, dos Estados Unidos, do Japão, da Europa e da Rússia. Assim, cada parceiro internacional oferece treinamento referente à sua parte na Estação Espacial, para todos os colegas astronautas participantes daquela expedição. Quando uma missão espacial envolve astronautas de dois ou três países participantes do empreendimento, por exemplo, cada país oferece treinamento sobre os sistemas de seu módulo na estação. A agência espacial canadense oferece treinamento sobre o módulo canadense, a europeia sobre o módulo europeu e assim sucessivamente. Dessa forma, o treinamento para a ISS requer viagens extensivas, incluindo períodos em outros países, com treinamento com parceiros internacionais. Assim, o treinamento ocorre no Centro Espacial Johnson da NASA, e no Centro de treinamento de cosmonautas Yuri Gagarin, em Moscou; a tripulação também passa algumas semanas na agência espacial canadense, na agência espacial europeia e na agência espacial japonesa (http://www.asc-csa.gc.ca/eng/astronauts/training_iss.asp). Durante esse treinamento especializado sobre a Estação Espacial, os astronautas passam por treinamentos interculturais, devido à necessidade de interagir e trabalhar em conjunto com colegas de diferentes países, com costumes diferentes.

Devido ao fato de os tripulantes de uma expedição permanecem na Estação Espacial Internacional por até seis meses em uma única missão, eles participam em sessões obrigatórias de treinamento enquanto a bordo da Estação Espacial Internacional, utilizando CD-ROMs, simulações e instrutores a bordo para manter a proficiência e para treinar para novas tarefas, caso seja necessário. Treinamentos para manter-se em forma constituem parte essencial desse programa, para manter a força física a fim de minimizar a deterioração de músculos e ossos, que ocorre por resultado de viver em ambiente de microgravidade (http://www.asc-csa.gc.ca/eng/astronauts/training_mission.asp#expedition).

As viagens da e para a estação espacial internacional ocorrem a bordo do veículo espacial russo Soyuz e, também, ocorrerão a bordo de naves futuras, em desenvolvimento. Após o voo espacial, o astronauta passa por vários dias de testes médicos e discussões, chamados de relatos de missão (em inglês, debriefing).

E aí, animado/a para voar mais alto?

Spacegirl

Fonte: bbc.co.uk

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