Buzz Aldrin: O chamado de Marte


             
Texto extraído do sítio UOL
No polo sul do planeta vermelho, a paisagem é branca. Com temperaturas extremamente baixas, as extremidades do planeta são cobertas de gelo Leia mais Nasa

Quando vejo a Lua, há momentos em que me sinto em uma máquina do tempo. Eu estou de volta a um momento querido no passado –agora quase 45 anos atrás– em que Neil Armstrong e eu estávamos naquela paisagem lunar desolada, porém magnífica, chamada Mar da Tranquilidade.
Enquanto estávamos mais distantes da Terra do que os seres humanos jamais estiveram, o fato é que não estávamos sozinhos. Cerca de 600 milhões de pessoas na Terra, na época a maior audiência de televisão na história, nos assistiam deixando nossas pegadas na Lua.
Avancemos para hoje. Agora eu vejo a Lua sob uma luz muito diferente –não como um destino, mas como um ponto de partida, um colocando a humanidade em uma trajetória para colonizar Marte e se tornar uma espécie de dois planetas.
É hora de estabelecermos a base para uma exploração humana global eficaz do espaço.
O programa Apollo da NASA adotou uma estratégia clara de corrida espacial, “chegar lá depressa”, que deixou a ex-União Soviética comendo poeira lunar. Fazê-lo dessa forma implicava em não perder tempo desenvolvendo reutilização. Vamos encerrar esse capítulo nos livros de história da exploração espacial.
Eu peço por um esforço internacional unido para explorar e utilizar a Lua, uma parceria que envolva empresas comerciais e outros países fazendo uso do legado do programa Apollo. Permita-me enfatizar: uma segunda “corrida à Lua” é um beco sem saída.

Os Estados Unidos deveriam traçar o curso de serem os líderes dessa atividade internacional para o desenvolvimento da Lua. Os Estados Unidos podem ajudar outros países a fazerem as coisas que desejam fazer, uma abertura frutífera para a política externa e a diplomacia americana.
Um passo na direção certa é a criação de uma Corporação Internacional de Desenvolvimento Lunar, adaptada para explorar o legado das lições aprendidas por empreendimentos como o Ano Internacional de Geofísica (cujo propósito era fazer cientistas de todo o mundo se concentrarem nos aspectos físicos e atmosfera da Terra), o programa da Estação Espacial Internacional, assim como organizações modelo como a Intelsat e a Agência Espacial Europeia. A colaboração espacial deveria ser a nova norma, incluindo a utilização de chineses, indianos e outros talentosos especialistas em espaço de todo o mundo.
No meu entender, os recursos americanos seriam mais bem gastos na busca do estabelecimento de presença humana em Marte. Eu imagino um plano abrangente que leve a um assentamento humano permanente em Marte nos próximos 25 anos. Para começar, a Estação Espacial Internacional pode servir como base de teste para suporte à vida de longa duração e de tecnologias que possam transportar, de modo seguro, confiável e rotineiro, equipes para Marte. Eu defendo a criação de uma espaçonave que possa ser colocada em circulação contínua entre a Terra e Marte, implantando assim uma rota para a sustentabilidade que ligue para sempre os dois planetas.
Ir para Marte significa permanecer em Marte –uma missão na qual desenvolveremos a confiança para nos tornarmos uma espécie de dois planetas. Em Marte, nós dispomos de luas maravilhosas –uma das quais, talvez Fobos, possa servir como um mundo exterior do qual equipes possam posicionar roboticamente equipamentos e estabelecer um escudo antirradiação na superfície de Marte, para dar início a um aumento sustentável no número de pessoas. Para que haja sucesso em Marte, não se pode parar em uma incursão única à superfície.
Minha paixão pela exploração espacial é guiada por dois princípios: a contínua expansão da presença humana no espaço e a manutenção da liderança americana no espaço. Para avançarmos, o que é necessário é o que chamo de Visão Unificada do Espaço para a América, que é apoiada na exploração, ciência, desenvolvimento, comércio e segurança. Para ir além da órbita baixa da Terra é preciso um conjunto de missões que seriam a fundação dessa Visão Unificada do Espaço. A implantação e manutenção dessa abordagem unificada deve começar agora.
Eu peço por um esforço internacional para explorar ainda mais e utilizar a Lua. Seria uma parceria que envolveria empresas comerciais e outros países fazendo uso do legado do programa Apollo. Mas o verdadeiro chamado é de Marte.
Ao implantar uma visão passo a passo –como os Estados Unidos fizeram com a cápsula Mercury de um único assento, seguida pela espaçonave Gemini para duas pessoas, que tornou o programa Apollo possível– a humanidade pode chegar às dunas distantes de Marte.
Nossa Terra não é mais o único mundo para nós. É hora de buscarmos novas fronteiras.
(Buzz Aldrin, o segundo homem a caminhar na Lua, é autor, mais recentemente, de “Mission to Mars: My Vision for Space Exploration”, escrito em parceria com Leonard David)

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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