Relógios de Sol são monumentos à cultura humana


Notícia extraída do sítio american brasil

Muitas cidades exibem relógios de sol instalados em praças ou parques por onde as pessoas passam e despertam curiosidade. É claro que, hoje, pouca gente usaria um relógio de sol para saber a hora certa ou acertar o relógio digital. Com tantos relógios desde os clássicos de ponteiros, passando pelos digitais, telefones celulares, iPods, iPhones, etc., fica difícil não saber a hora certa.

Mas, mais que monumentos artísticos e arquitetônicos (obras de arte e arquitetura), os relógios de sol são verdadeiros monumentos à cultura humana. Quem presta atenção ao formato de um relógio de sol e suas partes se pergunta sobre a direção da haste e para onde ela está apontando.

Também indaga sobre as marcas das horas e a maneira como estão colocadas. Pode-se notar que, como a hora e os minutos dependem da posição do Sol, é o movimento desse astro que vai mostrar o horário para cada local onde o relógio é construído.

Diversos tipos de relógios de sol são construídos, dependendo da posição do mostrador das horas e da haste. Entre os mais comuns estão o horizontal, com as horas marcadas em uma mesa, por exemplo, e o vertical, que pode ser feito numa parede ou muro.

Também existe o tipo equatorial, orientado na direção norte/sul. Neste caso, a haste está apontada para o polo celeste e inclinada em um ângulo cujo valor é o mesmo da latitude local. A leitura é feita pela sombra da haste projetada em uma placa em curva, com as graduações das 6 às 18 horas e suas divisões.

Como o relógio fornece o tempo solar verdadeiro, obtido pelo movimento do Sol, a hora verdadeira local ou hora legal é traduzida por meio de uma tabela que mostra os minutos que devem ser somados ou subtraídos, conforme o dia do ano. Naturalmente, no horário de verão, devemos adicionar uma hora.

Outros tipos podem ser construídos e a hora pode ser conhecida não apenas pela sombra de uma haste, mas por furos feitos em placas onde a luz, ao passar, é projetada em outro local com as marcações das horas. Muitos projetos podem ser feitos com as mais diversas concepções orientadas pela gnomônica, a ciência e a arte de construção de relógios de sol, e com a ajuda de softwares específicos. É possível explorar pela internet um grande número de relógios de sol instalados pelo mundo todo.

Desde uma fresta em uma caverna, ou uma simples estaca colocada na vertical, passando por grandes monumentos, relógios de sol foram construídos com a finalidade de marcar o tempo. Muitos tipos desses equipamentos foram desenvolvidos ao longo da história, desde o Egito antigo, há cerca de 1.500 anos antes de Cristo ou anteriores a essa época.

A divisão das horas e o conhecimento dos calendários ajudaram a sociedade a se organizar, registrar seus eventos, planejar-se e avaliar suas ações. Os relógios foram úteis, pelo conhecimento dos movimentos do Sol e dos astros de modo geral, até para saber as coordenadas em muitos lugares do planeta. Até a direção das navegações ou limites territoriais dependem da determinação da hora certa.

Atividades de construção de relógios de sol nas escolas têm um grande potencial e podem motivar os alunos para o estudo de várias disciplinas, como história, geografia, ciências e matemática.

Hoje este conhecimento de orientação não está ultrapassado, como se pode considerar à primeira vista. Ele serve de base para apontarmos antenas e fazermos uso de coordenadas, determinadas pelos GPS que utilizam satélites.

Muitas cidades brasileiras ainda não têm um relógio de sol numa praça ou parque para visitação pública. O projeto de construção desses equipamentos poderia ficar a cargo de secretarias municipais de Educação, Cultura ou Turismo, pois está relacionado a todas essas áreas. O espaço pode ser visitado pelos alunos das escolas da cidade acompanhados pelos professores dos mais diversos níveis escolares em uma atividade diferente, fora da sala de aula.

Como opção de cultura e lazer, o relógio de sol é uma forma de atração turística na cidade. É muito agradável fazer um passeio e, no caminho, encontrar algo que nos faça pensar e perguntar sobre assuntos que fazem parte da cultura humana há milhares de anos.

Também é importante mostrar aos mais jovens que o conhecimento da humanidade foi formado e desenvolvido durante esse longo tempo e os relógios de sol são testemunhos dessa história.

* Paulo S. Bretones é colaborador de Scientific American Brasil, professor da Universidade Federal de São Carlos, coeditor da Revista Latino- Americana de Educação em Astronomia (RELEA) e autor de Os segredos do Sistema Solar de Os segredos do Universo, da Atual Editora.

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