Constelações


Autor: Marcelo de Oliveira Souza

A observação dos astros sempre fascinou o ser humano. O registro de observações realizadas na Antiguidade nos é muito útil. Quando comparamos esses registros antigos com dados atuais, é possível obter informações sobre o movimento dos astros no firmamento. É possível conhecer um pouco mais essas civilizações antigas… Sentir como viviam… Seus temores… Seus costumes… Elas viam no céu representações de seu cotidiano. Unindo com linhas imaginárias as estrelas mais brilhantes é possível imaginar objetos, animais, seres da mitologia… Esses agrupamentos aparentes de estrelas são chamados de constelação.

Há registros de como os Sumérios agrupavam visualmente as estrelas há mais de 2.000 anos antes de Cristo. Essas constelações serviram de base, segundo alguns historiadores, para as utilizadas pelos Babilônios. As tábuas Mul Apin, datadas de aproximadamente 700 a.C., são um registro de como os Babilônios viam o firmamento. Os gregos Hesíodo e Homero em seus relatos, provavelmente nesse mesmo período, apresentam descrições de algumas constelações. A primeira descrição mais completa, das constelações observadas pelos gregos, foi feita por Eudoxio (408–355 a.C.) em seus textos Enoptron e Phaenomena. Esses textos se perderam, porém Arautus (314-245 a.C.) escreveu uma versão poética do Phaenomena. Segundo lan Ridpath, nessa versão, com o mesmo título Phaenomena, são apresentados dados de 47 constelações. Hiparco (190-120 a.C.) compilou um catálogo com dados de aproximadamente 850 estrelas fixas. Esse catálogo foi a base para o famoso Almagesto, escrito por Ptomoleu (100-178 d.C.). Esse livro é uma compilação do conhecimento astronômico dos gregos. Nele há dados sobre 48 constelações. Durante muitos anos foi uma referência para a Astronomia.

Um relato parcial. Quantas civilizações não criaram as suas próprias representações do que viam no firmamento??? Havia mais uma necessidade. Temos os textos descrevendo as constelações vistas na antiguidade. E imagens??? Desenhos??? Não existem??? O manuscrito Dunhuang descoberto há poucos anos, é um mapa celeste feito pelos chineses. Foi produzido no século 7. É o mais antigo mapa celeste que possuímos. Os chineses viam 283 constelações no céu representando o seu cotidiano. O árabe Abd al-Rahman al-Sufi (903–986 d.C.) produziu o Livro das Estrelas Fixas (Kitab suwar al-kawakib) provavelmente no ano 964 d.C. Nesse livro, baseado no Almagesto, trazia o nome em árabe de algumas estrelas e duas ilustrações para cada constelação.

No ocidente em 1482, foi publicado o livro Poeticon Astronomicon. Esse livro foi escrito por Hyginus em data desconhecida. O livro se baseava no Almagesto. Trazia ilustrações representando as constelações. Foi o início do período de representações gráficas das constelações no ocidente. O artista alemão Albert Drüher publicou em 1515 um belo mapa do céu. Mas, a época de ouro dos mapas celestes, só teve início em 1603 com a publicação da Uranometria pelo alemão Johann Bayer. Nesse livro havia uma representação artística para cada uma das 48 constelações citadas no Almagesto. A partir desse momento diversos artistas produziram belos mapas celestes. Belas imagens representando o firmamento produzidas por mãos talentosas. John Flamsteed, Johannes Hevelius, Johann Bode… Durante a história da humanidade várias civilizações imaginaram diferentes representações para o agrupamento das mesmas estrelas mais brilhantes. As tribos indígenas brasileiras também criaram as suas próprias representações.

Desde 1922, a União Astronômica Internacional fixou em 88 as constelações visíveis no firmamento (http://pt.wikipedia.org/wiki/Constela%C3%A7%C3%A3o). Dessa forma, toda a abóboda celeste foi dividida em 88 regiões. Cada região englobando uma constelação. Os limites das regiões relativas a cada uma das constelações foi definida em 1930 por Eugène Joseph Delporte para a União Astronômica Internacional.

Há constelações tradicionais que são de fácil identificação no céu noturno. Durante o verão no hemisfério Sul é muito fácil identificar as constelações de Órion (onde estão situadas as populares três Marias), Touro e Cão Maior. Bem no alto do céu, no início da noite, percebe-se a bela constelação de Órion, o caçador gigante. Inserida nessa constelação vemos as tão conhecidas Três Marias,que representam um cinto gigante. O cinturão do caçador. O ombro direito do caçador é representado pela estrela Betelgeuse, uma gigantesca estrela vermelha que possui um diâmetro cerca de 250 vezes maior que o do Sol. Segundo a mitologia grega, o caçador era auxiliado por dois cães. Eles podem ser vistos ao seu lado no céu, representados pelas constelações de Cão Maior e Cão Menor. Sírius é a estrela mais brilhante do céu, depois dos planetas que possuem brilho mais intenso, e está localizada na constelação de Cão Maior. Para localizar Sírius basta seguir um prolongamento do alinhamento das Três Marias.

A constelação de Touro também é uma das constelações de rápido reconhecimento. Nota-se facilmente um triângulo (estrelas alinhadas em forma de “V”) de estrelas formando a sua cabeça. A estrela Aldebaran, de coloração avermelhada é a mais brilhante desta constelação e seu nome significa, em árabe, olho de touro. Pode-se localizá-la seguindo o prolongamento do alinhamento das Três Marias em sentido contrário ao seguido para localizar Sírius. Na constelação de Touro é possível observar a olho nu o belo aglomerado aberto das Plêiades. Em um local com pouca iluminação é possível distinguir entre seis e sete estrelas. As sete irmãs. Com auxílio de um instrumento de observação é possível observar um número bem maior de estrelas nesse aglomerado.

Além dessas constelações é muito fácil identificas as constelações do Cruzeiro do Sul e de Escorpião. A constelação de Escorpião é visível no alto do céu durante o inverno no hemisfério Sul.

Bom… O mais importante é que todos vejam seus sonhos projetados na beleza de um estrelado céu noturno… Cada um pode criar as suas representações procurando unir as estrelas mais brilhantes… Um momento para reflexão e admiração do maravilhoso Universo onde vivemos…

Agora, assista na íntegra com exclusividade o episódio do ABC da Astronomia sobre o Cruzeiro do Sul, que irá ao ar amanhã pela TV Escola!


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