V1, Andromeda, e um universo maior por Edwin Hubble – A estrela que revolucionou a Cosmologia em 1923


Extraído e adaptado do site da NASA, 23.05.2011, por Norma T.O. Reis

Até  1923, os astrônomos acrevitavam que o universo estava reduzido ao que hoje conhecemos por Via Láctea. Acreditávamos que todas as estrelas visíveis durante a noite e tudo o que existia estava confinado às fronteiras daquele universo. Em outras palavras, a Via Láctea seria um único “universo ilha”, com nada observável para além de seus limites. Observações sistemáticas de uma única estrela Cefeida variável chamada V1 ajudaram o astrônomo Edwin Hubble a contradizer o modelo cósmico vigente, alterando o curso da astronomia moderna e transformando o universo em um local muito maior.

Hubble apontado para a estrela que alterou o modelo vigente de 
universo

Fig. 1 – O telescópio espacial Hubble da NASA foi treinado em uma única estrela variável que em 1923 alterou o curso da astronomia moderna. V1 é uma classe especial de estrelas pulsantes chamadas Cefeidas variáveis, que podem ser utilizadas para obter medições confiáveis de grandes distâncias cósmicas. Crédito: NASA, ESA, e Equipe Herança Hubble (STScI/AURA).

Entretanto, havia debate sobre esses assuntos antes da descoberta de Hubble? Sim. Acreditava-se que tudo estava confinado à Via Láctea, e Andrômeda foi catalogada como uma simples entre tantas outras marcas de luz chamadas pelos astrônomos de nebulosas espirais. Mas alguns astrônomos desconfiavam que tais nebulosas espirais como Andrômeda poderiam ser universos ilha fora da galáxia. Foi Hubble, porém, quem encontrou uma estrela nas regiões externas da galáxia vizinha Andrômeda, ou M31. O brilho da estrela aumentava e diminuía em um padrão previsível. Ela foi chamada por Hubble variável número um, ou V1, uma Cefeida variável. Esse tipo especial de estrela é um marcador confiável de distâncias no cosmos. A V1 ajudou Hubble a demonstrar que Andrômeda se encontrava além da Via Láctea e instigar o debate acerca da natureza das nebulosas espirais.

Com base na luminosidade absoluda de uma estrela podemos determinar sua distância em relação à Terra. Hubble fez várias observações de Andrômeda até identificar a estrela V1 e depois fez diversas observações dessa estrela, até comprovar que ela se encontrava bastante além das fronteiras da Via Láctea. Aquilo significaria que a Via Láctea era somente mais uma galáxia dentre tantas outras. Similarmente à descoberta que destronou o modelo que colocava a Terra no centro do universo com o Sol e os demais planetas girando ao seu redor, a descoberta do astrônomo Hubble no início do século 20 nos fez ainda menores em comparação a um universo muito maior e repleto de galáxias ainda maiores que a Via Láctea, e em expansão.

V1 é uma Cefeida, e pode ser considerada a estrela mais importante na história da Cosmologia porque ela ajudou a provar que o universo é um lugar muito maior do que antes se imaginava, e repleto de galáxias. As Cefeidas são ainda importantes hoje porque elas são utilizadas para medir distâncias extragalácticas. Quase 90 anos depois, a V1 está em destaque novamente. Os astrônomos apontaram o telescópio batizado em homenagem a Edwin Hubble, novamente em direção àquela estrela, como um tributo simbólico à observação revolucionária do astrônomo legendário.

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